agosto 4, 2020

Na sessão ”Memórias do Transporte” conheça sobre as ferrovias Paulistas.

Em São Paulo, o café foi a base da expansão dos trilhos. O cultivo do produto foi responsável pela necessidade de implantar a ferrovia em São Paulo, financiando a obra e dependendo do transporte sobre trilhos por muitos anos para chegar a vários mercados. Do ponto de vista da disposição geográfica industrial, a estrada de ferro atraiu a instalação das fábricas próximas às estações, já que a ferrovia transportava também matérias-primas, máquinas e trabalhadores.

Em meados do século XIX, o café transformou-se no principal produto de exportação brasileiro e, assim, se iniciou a “Era da Estrada de Ferro”. O porto de Santos virou o principal ponto de escoamento da produção, e ter um transporte moderno e de alta capacidade entre ele as áreas produtoras tornou-se uma questão vital.

Em 1856, Irineu Evangelista de Souza (o Barão de Mauá) e seus dois associados, José Antônio Pimenta Bueno (Visconde de São Vicente) e José da Costa Carvalho (Marquês de Monte Alegre), obtiveram a concessão para construir e explorar por noventa anos uma ferrovia que ligasse Santos a Jundiaí. Em 1860, os estatutos da estrada de ferro foram aprovados. Nascia, assim a primeira ferrovia paulista – The São Paulo Railway Company -, inaugurada em 1867. A população a chamou por muito tempo de “A Inglesa”. Com a implantação da obra, o custo do transporte do café diminuiu em aproximadamente 35%.

Estação de Varzea Paulista | Foto: SPR – Memórias de uma Inglesa

A The São Paulo Railway Company não demonstrou interesse em estender seus ramais além de Jundiaí. Em 16 de dezembro de 1867, um grupo de fazendeiros, negociantes e capitalistas reuniu-se com o presidente da província, Joaquim Saldanha Marinho, e decidiu fundar a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, com o objetivo de ligar Jundiaí a Campinas. A obra foi iniciada em 15 de março de 1870 e, dois anos depois, circulou o trem inaugural em vias de 1,60m de bitola. Em 1892, a Companhia Paulista adquiriu a Estrada de Ferro de Rio Claro a Araraquara, construída pelo Visconde do Pinhal e propriedade de uma companhia inglesa.

Estação Rio Claro | Foto do livro Libro D’Oro Dello Stato de San Paolo, 1911, acervo Paulo Castagnet

Na primeira década de século XX, com uma vasta extensão de linhas cortando a zona cafeeira, a Companhia Paulista, ostentava uma excelente imagem, graças a um modelo de pontualidade e organização. Ela foi responsável pela introdução nos trens de passageiros de um conjunto de inovações, tais como os carros-restaurantes, carros “pullman” (primeira-classe) e carros dormitórios. Além disso, o primeiro trem com tração elétrica da América do Sul circulou em suas linhas, no trecho Jundiaí-Campinas, em 1927. Entre o ano de 1870 e a segunda metade do século XX, várias outras ferrovias foram criadas: a Companhia Sorocabana, que uniu com a Companhia Ituana de Estrada de Ferro em 1892, formado a Companhia União Sorocabana e Ituana; além de algumas ferrovias menores, criadas no Estado de São Paulo para atender interesses específicos de grupos econômicos, quase sempre vinculados à cultura cafeeira. Podemos citar: Companhia Itatibense, Ramal Férreo Rio Pardo, Companhia Descalvadense, Rama Férreo Santa Rita, entre outras.

Foto: Centro-Oeste – Ferreomodelismo

Essas pequenas empresas não possuíam, porém, a infraestrutura necessária para se manterem independente por muito tempo e inevitavelmente acabaram incorporadas por uma das três grandes ferrovias.

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Dayane Priscila

Estudante de Desenvolvimento de Sistemas. Amante de livros, fotógrafa aspirante e amante de astronomia. Dona do instagram Diário da CPTM
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