Não é desse século que existe comércio ambulante em trens e estações do sistema metroferroviário do Estado de São Paulo. Quantas vezes você não foi atraído por aquele amendoim torrado e salgado? Quantas vezes aquela fominha não bateu e você não resistiu e comprou uma mercadoria sem procedência confiável?

99,9% das pessoas já comprou algum objeto ou alimento dos ambulantes, popularmente conhecidos como “marreteiros”. Mas esse comércio ambulante é ilegal.

De acordo com o Decreto nº 1832, de 4 de março de 1996, é o instrumento legal que aprovou o regulamento dos transportes ferroviários em São Paulo.

De acordo com o artigo 40 do respectivo regulamento, é proibida a negociação ou comercialização de produtos no interior dos trens, nas estações e instalações, exceto aqueles devidamente autorizados pela administração ferroviária.

Ainda, o artigo 41 permite que as pessoas que se apresentem ou se comportem de forma inconveniente poderão ser impedidas de entrar ou permanecer em suas dependências. Vejamos o texto da norma legal:

“Artigo 40. É vedada a negociação ou comercialização de produtos e serviços no interior dos trens, nas estações e instalações, exceto aqueles devidamente autorizados pela Administração Ferroviária.

Parágrafo único. É proibida também a prática de jogos de azar ou de atividades que venham a perturbar os usuários.

Artigo 41. A Administração Ferroviária poderá impedir a entrada ou permanência, em suas dependências, de pessoas que se apresentem ou se comportem de forma inconveniente.”

Mas sabemos que não é cumprido. Nem pelos passageiros, muito menos devidamente fiscalizado pelas companhias.

Um instrumento recentemente lançado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, prometeu ajudar na fiscalização dessa tal prática.

O passageiro ao presenciar qualquer comércio ou ser vítima ou testemunha de algum crime, seja ele furto, assédio sexual, dentre outros pode mandar um Whatsapp Denúncia para o número (11) 99767-7030.

Devendo ser informado a numeração do trem, identificação do carro, linha de operação, sentido do trem, próxima estação, característica do infrator, e qualquer outra informação que possa ajudar na abordagem para impedir os atos.

Mas é sério mesmo que o passageiro precisa fazer o serviço da companhia? Inversão de papéis acontece e é um ótimo exemplo para ser utilizado para ilustrar essa ação.

Uma vez em reunião com perfis colaborativos, um dos colaboradores da companhia nos disse que é mais fácil receber mensagem do passageiro pois ele está no trem e vê muito mais que a companhia.

Mas ora, pra que existem tantas câmeras? Não é pra isso que elas foram instaladas? A própria companhia se contradiz com suas informações.

Alguns materiais enviados para nossa equipe comprovam que esse sistema é inútil. Tanto pelo tempo de resposta, como a “boa vontade” dos funcionários em resolver o problema.

Quantas vezes você mandou mensagem para a companhia e não obteve resposta?

As imagens a seguir mostram como é ineficiente e confuso o sistema, até para a própria companhia que não sabe nem o que está escrevendo.

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Mostram que não vale a pena enviar SMS Denúncia, muito menos Whatsapp Denúncia para a companhia. Afinal eles não fazem nada mesmo.

Isso quando os próprios ambulantes não trocam de carro ou trem na frente dos agentes com suas mercadorias.

Até que ponto o marketing realmente funciona? Quando que a companhia vai parar de vender o que não pode ou não quer cumprir?

Não estamos entrando no mérito ambulantes em si. Mas na falta de resposta e na falsa propaganda da companhia. O que, não é nenhuma novidade não é mesmo?

A verdade é que a CPTM virou terra sem lei, e que as coisas andam fora do controle da companhia. Mas “tudo bem” é mais fácil e mais divertido se esconder atrás do computador e vender o que não se pode cumprir.

Desejamos que a CPTM um dia acorde, e entre em um senso comum de que só se vende o produto que se pode vender. E não somente vender em mídias digitais e na prática não ser cumprida.

Mario Musial

Técnico de Radiologia, operador de equipamento de Ressonância Magnética, administrador e colunista no Rede Noticiando.
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