Combate ao comércio irregular nos trens do Metrô terminam em confrontos

O avanço do comércio ambulante no Metrô de São Paulo e da fiscalização para combatê-lo resultou em uma escalada de hostilidade entre os dois lados. Confrontos que assustam passageiros nas estações do sistema, que recebe mais de 3,7 milhões de passageiros por dia.

Do começo do ano para cá, já houve nove episódios violentos, incluindo funcionários agredidos e ameaçados.

O caso mais emblemático, e que deixou os diretores do Metrô em estado de alerta, ocorreu no dia 15 de junho, quando uma agente de segurança feminina foi apedrejada e espancada enquanto participava de uma operação de recolhimento de mercadorias na Estação Vila Matilde, da Linha 3-Vermelha.

A agente, cuja identidade será mantida em sigilo, convulsionou e teve de ser levada às pressas ao Hospital Santa Virgínia, no bairro do Belém, onde foi diagnosticada com traumatismo craniano. Seus agressores foram detidos, mas acabaram sendo liberadores no sábado, 16 de junho, depois de uma audiência de custódia.

Confira o vídeo abaixo do resgate da agente após sofrer agressão:

Em 1° de junho, um outro segurança do Metrô, Danilo Fagner de Souza, levou uma cotovelada no rosto enquanto tentava apreender uma mercadoria de chocolates na recém-inaugurada Estação Borba Gato, da Linha 5-Lilás.

Agente do Metrô agredido
O agente de segurança Wagner Artilha levou um soco e quebrou o nariz ao tentar apreender mercadorias de ambulantes (Foto: Arquivo Pessoal)

De acordo com Rodrigo Kobori, que já foi agente de segurança do Metrô e atualmente é um dos diretores do sindicato dos metroviários, a atuação do comércio ilegal nos trens e estações da companhia se expandiu nos últimos anos, não só em volume, mas em organização.

O atual número de agentes de segurança não consegue atender a demanda, em horários de pico por exemplo, a maior parte dos agentes se concentram em grande estações, como Sé e Luz, as paradas mais distantes acabam negligenciadas, ”às vezes com apenas dois ou três agentes”, afirma Kobori.

O Metrô diz que, ainda neste ano, concluirá a formação de mais 110 agentes, ampliando seu quadro de 1.157 para 1.267 seguranças.

Apreensões

De acordo com dados do Metrô, uma média de quase 40 apreensões de mercadorias irregulares acontecem por dia nos trens da companhia. Dentre as mercadorias mais apreendidas estão alimentos e acessórios eletrônicos diversos. Balas, chocolates e barras de cereais correspondem a 57% das apreensões registradas pelo Metrô.

Outros 42% representam itens como fones de ouvido, carregadores portáteis para celulares e até mesmo brinquedos. O restante são bilhetes e cartões irregulares de embarque no transporte.

As mercadorias apreendidas nas estações do Metrô são recolhidas e encaminhadas para as prefeituras regionais mais próximas.

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