Uma auditoria do Tribunal de Contas do Município apontou que o Bilhete Único utiliza uma tecnologia ultrapassada e considerada insegura, o que favorece fraudes no sistema.

A Capital já gastou mais de R$ 100 milhões nos últimos cinco anos para mudar essa tecnologia, só que até agora o sistema não ficou pronto.

Os outros 40% que têm tecnologia superior e são mais seguros, não funcionam. O problema do software, o sistema de processamento de dados da SPTrans, que é o mesmo desde 2004, quando o bilhete começou a funcionar.

Por isso, fabricar créditos do Bilhete Único virou algo comum. Por causa das fraudes, só em 2018, mais de 800 mil cartões foram apreendidos ou cancelados.

Os cartões são a primeira linha de defesa do sistema de bilhetagem. Os auditores de contas recomendam que todos os cartões antigos sejam retirados do sistema.

A SPTrans tem outros problemas, como a segunda linha de defesa comprometida, o do sistema de chaves privadas, que poucas pessoas têm acesso a ele. Os auditores dizem que a SPTrans sabe desde 2015 que o sistema de recargas da empresa está comprometido.

Faz cinco anos que a prefeitura paga R$ 2 milhões por mês para o Consórcio Bilhete SP desenvolver um novo sistema, mas o trabalho ainda não foi concluído.

Edson Caram, o terceiro secretário à frente da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes na atual gestão, não soube explicar o motivo para o novo sistema ainda não ter saído do papel.

“Vou chamar as empresas envolvidas dentro do contrato, o pessoal da SPTrans para entender aonde nós estamos e o que falta pra gente executar. E o porquê de tanta demora”, disse Caram.

A PC Service, empresa do consórcio responsável pelo desenvolvimento do sistema, disse que houve uma adequação do cronograma devido a um acordo de ampliação dos serviços. E que todas as etapas são discutidas regularmente com a SPTrans.

A empresa falou também que em 2017 entregou o sistema de reconhecimento facial que já bloqueou mais de 300 mil cartões fraudados.

Um levantamento feito pelo Anda SP, da TV Globo, mostrou que 60% dos cartões do Bilhete Único são vulneráveis a fraudes.

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