Mercado de marmitas congeladas cresce 13% em pedidos no delivery

Mercado de marmitas congeladas cresce 13% em pedidos no delivery

O mercado de marmitas congeladas teve alta de 13% nos pedidos pelo delivery no Brasil no primeiro semestre de 2026, sobre o mesmo período de 2025, segundo dados do iFood divulgados pelo O Hoje. 

O Rio de Janeiro registrou 25,7% e Goiás, 25,2%, ritmos bem acima da média nacional. 

O que mostram os pedidos de marmitas congeladas no delivery? 

Os pedidos cresceram 13% no Brasil no primeiro semestre de 2026, e o avanço foi maior no Rio de Janeiro e em Goiás. 

A base de comparação é o primeiro semestre de 2025, e os números vêm do iFood, plataforma de pedidos de comida, segundo a reportagem do O Hoje publicada em 26 de agosto de 2026. 

O dado mede pedidos feitos no aplicativo, sem incluir as compras de marmitas congeladas em supermercados e lojas físicas. 

RecorteAlta nos pedidos de marmitas congeladas, primeiro semestre de 2026
Brasil13%
Rio de Janeiro25,7%
Goiás25,2%

Lida pelo lado de quem opera, a diferença entre a média nacional do mercado de marmitas congeladas e os dois estados indica que o ritmo de crescimento muda conforme a praça. 

Quem opera fora do eixo São Paulo tem mais utilidade em comparar o volume próprio de pedidos de refeição pronta com a variação da sua cidade do que em tomar a média do país como meta. 

Segundo o InvestNews, em reportagem de 22 de julho de 2026, o mercado de marmitas movimenta estimados R$ 12 bilhões ao ano no Brasil, segundo estimativas de consultorias, e o consumo na cidade de São Paulo chega a 18 milhões de marmitas por mês, segundo estimativas do iFood. 

Os valores se referem ao mercado de marmitas como um todo, sem recorte para as congeladas, e servem de pano de fundo para o mercado de marmitas congeladas. 

A refeição pronta compete com o restaurante pelo mesmo pedido do dia a dia. 

Por isso, a escolha de porção e de cardápio passa a ser uma decisão de rotina do consumidor, e o restaurante que vende por aplicativo disputa essa decisão a cada pedido. 

Por que porções menores e mais proteína entram na conversa? 

A reportagem associa o crescimento a produtos com porções menores, maior concentração de proteína e preparo rápido. 

A reportagem do O Hoje liga parte desse movimento ao uso de medicamentos à base de GLP-1, que, segundo o texto, levam o consumidor a buscar refeições menores e com mais proteína. 

A própria reportagem ressalva que o número não permite atribuir todo o crescimento a esse fator. 

A NielsenIQ, citada pela mesma reportagem em 2026, aponta que esses medicamentos alcançam 5% dos lares brasileiros. 

O percentual cobre uma fração dos domicílios, e por isso a leitura mais prudente trata a hipótese como um dos fatores possíveis, sem tomá-la como explicação do crescimento inteiro do mercado de marmitas congeladas. 

Separar tendência de consumo de hipótese de causa evita mudar o cardápio com base em uma explicação que ninguém comprovou. 

Para o restaurante, a decisão prática está em verificar nos próprios pedidos se a procura por itens menores e com mais proteína aparece antes de reformular qualquer prato. 

O que o cardápio de um restaurante pode ler desse movimento? 

O cardápio pode ler a demanda por porções menores e mais proteína como um sinal para revisar itens, porções e margem. 

O crescimento do mercado de marmitas congeladas mostra a direção da demanda, mas a decisão de mexer em um prato depende dos números de venda de cada operação. 

Antes de criar item novo ou reduzir porção, o restaurante precisa saber o que já vende no aplicativo, com que margem e com que frequência de pedido. 

Vanfer Brito, fundador da GT Consultoria de Restaurantes, atua há mais de 15 anos no mercado de alimentação e ajuda donos de restaurantes com análise de dados de vendas e cardápio estratégico para o delivery. 

“Quando o cliente passa a pedir porções menores e mais proteína, o restaurante precisa olhar os dados de venda antes de mexer no cardápio. Vender mais no delivery não depende apenas de promoção.”, afirma Brito. 

“A estrutura do cardápio, a margem de cada item e a execução na operação pesam tanto quanto a demanda. Quem entende o que vende, com que margem e com que experiência para o cliente consegue crescer com mais segurança.”, explica o fundador. 

As duas falas apontam para a mesma ordem de trabalho. Primeiro vêm os dados de venda do aplicativo, depois a margem de cada item e só então a mudança de porção ou de cardápio. 

O que observar antes de ajustar porção e margem no delivery? 

Antes de ajustar porção, o dono de restaurante deve conferir o que o aplicativo mostra sobre pedidos, margem e recorrência. 

Reduzir a porção e aumentar a proteína altera o custo do prato, e cada ajuste na ficha técnica muda a margem do item. 

Por isso, o cálculo precisa ser refeito com o preço de venda, antes de qualquer mudança no cardápio do delivery, para que o item menor entregue margem equivalente ao atual. 

Cinco verificações organizam essa decisão.  

  • Pedidos por item no aplicativo, para ver se a procura por porções menores e mais proteína já aparece na própria operação. 
  • Margem de cada item atual e do item reformulado, com custo de proteína, embalagem e comissão da plataforma. 
  • Frequência de recompra dos clientes, para saber se o prato entra na rotina de consumo. 
  • Variação de pedidos na sua cidade ou estado, comparada com a média nacional e com os estados de maior alta. 
  • Capacidade da cozinha no preparo rápido, para que a mudança não atrase a entrega.  

Com esses dados em mãos, o restaurante decide se ajusta a porção, cria um item novo ou mantém o cardápio atual diante do avanço do mercado de marmitas congeladas, e acompanha o resultado nas semanas seguintes.

Álvaro Lordêlo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *