O governo federal lançou nesta terça-feira , 18 de maio, o programa Gigantes do Asfalto, voltado ao setor de transporte de cargas, especialmente aos caminhoneiros autônomos. Em evento no Palácio do Planalto, com a participação do presidente Jair Bolsonaro e de ministros, foram assinados dois decretos e duas medidas provisórias (MPs). Destacam-se entre as medidas, a desburocratização dos documentos de transporte e a antecipação dos recebíveis para motoristas autônomos, algo que só fará sentido se houver segurança para garantir a autenticidade dos documentos e uma boa gestão de caixa.

Entre as novidades, está a criação, por meio de MP, do Documento de Transporte Eletrônico (DTe), que digitaliza e unifica dezenas de documentos atualmente exigidos dos transportadores de carga. Hoje uma empresa precisa ter até 90 documentos de transporte para fazer uma viagem. A desburocratização vai agilizar o processo e reduzir custos, mas exigirá tecnologia de ponta como a de biometria facial para evitar fraudes.

Recentemente, algumas empresas do setor de logística adotaram o sistema de biometria facial disponibilizado pela CredDefense, para evitar a ação de dublês, estelionatários que se passam por motoristas autônomos para roubar a carga. Entre os segmentos mais afetados por essa modalidade de crime está o agronegócio.

Nas empresas onde já foi instalada, a tecnologia tem se mostrado muito eficaz porque com ela é possível saber se as informações passadas são verdadeiras. E ela pode ser de muita utilidade no processo de digitalização e unificação de documentos que o governo vai implantar. “É possível fazer a biometria em locais remotos, mesmo não tendo contato presencial entre empresa e motorista. Todo o processo é rastreável e logado. Não por acaso, o número de consultas sobre essa aplicação da biometria facial aumenta mês a mês”, afirma José Luis Volpini, CEO da CredDefense.

Segundo Volpini, o custo de implantação é relativamente baixo porque a solução da CredDefense opera pelo smartphone do cliente, sem necessidade de instalação de nenhum aplicativo. “O motorista recebe um SMS ou mensagem via Whatsapp e por meio de etapas customizadas pode fazer a captura de biometria e checagem de diversos documentos”, explica.

Recebíveis

A mesma MP também regulamenta a antecipação de recebíveis pelos caminhoneiros em instituições financeiras. Atualmente, no caso dos motoristas autônomos, eles dependem de atravessadores financeiros apenas para descontar o valor do frete e antecipar o pagamento, o que equivale a cerca de 40% dos custos. Isso ocorre porque o prazo de pagamento dos embarcadores (donos da carga) costuma variar entre 30 e 90 dias. Esse prazo é mais facilmente suportável pelas grandes empresas transportadoras, mas se torna inviável para os caminhoneiros autônomos.

Para Hovani Argeri, diretor geral de Operação da Via Trucks, concessionária DAF com unidades em Contagem (MG), Guarulhos (SP) e São Bernardo do Campo (SP), a regulamentação da antecipação de recebíveis pode ter impacto positivo no setor na medida em que contribuirá para que empresas e autônomos consigam manter em ordem seus fluxos de caixa a um custo menor do que o atual. Mas Argeri alerta para a necessidade de uma boa gestão para que este tipo de operação seja eficaz.

“Antes de partir para a antecipação de recebíveis é importante ter uma visão ampla do fluxo de caixa, do custo que o transporte da carga gera e analisar o percentual de deságio existente na operação. Mesmo com um programa governamental pode haver instituições que antecipem com um desconto muito alto. Por isso, é importante pesquisar bastante e só seguir se for realmente compensador”, afirma Argeri.

Para estimular a medida, a Caixa Econômica Federal anunciou a criação de uma nova modalidade de antecipação de recebíveis do frete, que será lançada no final de junho. Segundo o banco, a adesão ao limite de crédito pelo transportador e embarcador será simplificada e o pagamento antecipado será feito diretamente e sem custos ao caminhoneiro.

O diretor financeiro da Comdinheiro, Filipe Ferreira, avalia que a iniciativa é importante, mas o ideal é que o programa possa democratizar o processo de forma a gerar concorrência no mercado. Se for bem implementado, a classe conseguirá fazer operações com custos muito menores. Principalmente se houver a possibilidade da entrada de fintechs especializadas em antecipação de recebíveis onde os deságios costumam ser bem mais baixos.

“Há plataformas que fazem um leilão da nota fiscal. Compra quem oferecer o menor deságio. Mas para ser bem-sucedido, o caminhoneiro autônomo precisa ter a documentação em ordem de forma a dar o máximo de segurança para o investidor. É a segurança de que o valor da fatura será quitado o que mais contribui para a queda no deságio”, explica Ferreira.

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