Infelizmente não é de hoje que estamos noticiando a onda de violência nos trens e estações do sistema metroferroviário de São Paulo e Região Metropolitana.

Seja ela violência sexual e verbal ou até mesmo assaltos como vem acontecendo com maior frequência na Linha 10-Turquesa da CPTM e em bilheterias do Metrô. Seja à noite ou à luz do dia.

O mais preocupante é que as companhias não se prontificam de, efetivamente solucionar o problema. Alegam que investem em segurança através de câmeras, patrulhamento preventivo em aplicativos de mensagem e SMS. Estes últimos digamos que é um “elefante branco”. Ou seja, de fato não acontecem.

Em nota a CPTM diz que “diariamente são realizadas operações de rondas em todas as linhas, pelas equipes de segurança que atuam uniformizadas ou à paisana, além de vigilância ao longo das vias. Os usuários podem contribuir com a segurança do sistema, denunciando eventuais irregularidades pelo serviço do SMS Denúncia 97150-4949 e WhatsApp 99767-7030. O serviço garante total anonimato ao denunciante e a mensagem é recebida no Centro de Controle de Segurança, que destaca os agentes mais próximos para atuação imediata.”

Porém quem será o maluco a pegar o celular pra mandar SMS ou mensagem pelo WhatsApp em meio a um assalto? Sem nexo essa conduta adotada pela empresa não acham?

Quanto ao SMS Denúncia ou WhatsApp não funcionam. O tempo de resposta é muito alto. Até a mensagem chegar a central, a mesma mandar a ação e agir, o assalto já aconteceu há muito tempo.

As companhias se escondem em redes sociais e em entrevistas para emissoras alegando que todo investimento está sendo feito da melhor forma e em curto espaço de tempo.

Mas na prática, essas medidas funcionam? A resposta nós vemos no gráfico crescente da criminalidade dentro das dependências dessas companhias.

Enquanto não houver investimento pesado e efetivo de patrulha ostensiva para garantir a segurança dos passageiros, principalmente no horário noturno, beirando o final da operação comercial, infelizmente continuaremos vivenciando, noticiando e o pior, aguardando que uma tragédia aconteça.

Não adianta investir milhões em câmeras sendo que o preventivo não acontece. Na verdades câmeras deixaram de inibir crimes já há algum tempo. Ela mais ajuda no pós-crime do que de fato na prevenção do mesmo.

O pior nessa situação é ainda que as companhias não confirmam os números reais. Incrivelmente sempre são menores do que levantados por nós e pelas grandes mídias de notícia da região.

Falha no preventivo e ausência de efetivo para cuidar da população que paga caro por um serviço medíocre, sucateado é inseguro do Governo do Estado de São Paulo que insiste em pregar um falso marketing de flores.

O mais assustador é que esses crimes não tem fronteira. A Linha 10-Turquesa, já chegou a ser considerada a linha mais “segura” do sistema e hoje ultrapassa índices de linhas que já foram apontadas como as mais violentas, a exemplo das linhas 8-Diamante (Júlio Pestes – Itapevi) e 11-Coral (Luz – Estudantes), é assombrada por uma onda de arrastões dentro dos trens e estações. Quem diria que estaríamos vivendo em um cenário de guerra e medo no direito de ir e vir?

Um exemplo bem objetivo do quanto é ineficaz as medidas da CPTM é que ela sempre alega que “está fazendo sua parte” ou “encaminhou a vítima para a delegacia e está colaborando com as investigações”. O passageiro precisa sim do apoio pós-assalto. Mas seria muito melhor para todos se esse “pós” não viesse a acontecer. Se um patrulhamento efetivo acontecesse.

Infelizmente eles trabalham com o remediar do que prevenir. E nós passageiros é que pagamos a conta.

Atos de furtos de cabos também são constantes nessas empresas, consequentemente a viagem da população fica mais lenta do que de costume.

Me pergunto: não fica mais caro arrumar o que foi roubado do que prevenir? Não fica manchada a marca da empresa que não faz nada para manter seguros os seus passageiros que estão à mercê dos bandidos? E uma última pergunta… será que de fato eles se importam?

Atualmente a CPTM, por exemplo, conta muito mais com agentes de segurança não armada que apenas cuida do patrimônio do que de fato de seus passageiros. Até quando isso?

Dados preocupam e alertam para que houve um aumento maior de 50% em relação aos crimes do mesmo período semestral do ano passado.

Queremos algo que de fato funcione e previna essas ações, será que em ano de eleição, onde as coisas são feitas para atrair votos, teremos algum investimento. Ou isso não passa nem perto dos olhos dos interessados?

Vergonhosa e repudiante a situação que vivenciamos no transporte público sobre trilhos. A sensação de insegurança invadiu os trilhos, então cuidado com o vão entre o trem e os assaltos.

Mario Musial

Técnico em Radiologia, amante da profissão, em especial Ressonância Magnética.
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